Nerissa Goedhart

Superar o "Vale da Morte": parcerias público-privadas na tecnologia de segurança

Um vasto e vazio vale desértico de colinas secas e montanhas áridas, uma representação visual do Vale da Morte

Tecnologia promissora que nunca chega à operação. Soluções inovadoras que ficam presas em projetos-piloto durante anos. Parcerias público-privadas que estagnam na burocracia, em interesses divergentes ou na falta de compreensão mútua.

No setor da segurança, este fenómeno tem um nome: o Vale da Morte. Trata-se do fosso entre a inovação tecnológica e a verdadeira implementação operacional. É também um dos desafios mais persistentes que tanto governos como empresas tecnológicas enfrentam.

Dois mundos, um objetivo

As organizações de segurança pública e as empresas tecnológicas privadas partilham, no fundo, o mesmo objetivo: manter as pessoas mais seguras. No entanto, a forma como operam, tomam decisões e avaliam o risco difere consideravelmente.

O setor público trabalha com base na conformidade, na gestão de riscos e em longos processos de tomada de decisão. Os concursos públicos, os ciclos orçamentais e os interesses políticos desempenham todos um papel. A mudança é lenta, e muitas vezes por uma boa razão, uma vez que os erros no setor da segurança podem ter consequências graves.

O setor privado rege-se por uma dinâmica muito diferente. A velocidade, a inovação e a determinação são os motores. Os produtos continuam a desenvolver-se, os mercados mudam rapidamente e a pressão para apresentar resultados é elevada.

Joost Tuinman, consultor estratégico na Gardener Consultancy e antigo oficial do Corpo de Comandos dos Países Baixos e do SOCOM, conhece ambos os mundos por dentro. "A colaboração público-privada é essencial, mas na prática é frequentemente complexa, lenta e burocrática. O setor público opera a partir da conformidade e da gestão de riscos, enquanto o setor privado traz rapidez, inovação e dinamismo. Estes dois mundos têm de se encontrar, e isso raramente acontece por si só."

O que causa o Vale da Morte

Este fosso raramente se deve a más intenções. Geralmente resulta de uma combinação de fatores estruturais que tornam a colaboração mais difícil:

  • Diferentes horizontes temporais. Uma empresa tecnológica trabalha em trimestres. Uma organização governamental trabalha em anos orçamentais e períodos legislativos. Este desfasamento dificulta a criação de dinamismo.

  • Compreensão mútua limitada. As empresas tecnológicas nem sempre compreendem como funcionam as organizações governamentais, que regulamentações se aplicam ou como são tomadas as decisões. Por outro lado, as organizações governamentais por vezes sentem dificuldade em traduzir as possibilidades técnicas em necessidades operacionais.

  • Objetivos pouco claros. As colaborações que começam por mero entusiasmo, sem objetivos, governação e acordos claros, acabam por falhar mais cedo ou mais tarde.

  • Aversão ao risco. No setor público, a pressão para evitar erros é elevada. Isto pode levar ao receio de adotar novas tecnologias, mesmo quando o seu valor potencial é evidente.

A visual representation of how you reach the "Valley of Death", created by Kevin Landtroop

Como fazer funcionar uma parceria público-privada

Não existe uma solução única para o Vale da Morte. No entanto, várias abordagens têm dado provas de sucesso.

  • Começar com pilotos concretos e objetivos claros. Uma colaboração que se inicia com um caso de utilização definido, objetivos mensuráveis e um cronograma claro tem muito mais probabilidades de sucesso do que uma vaga declaração de intenções.

  • Investir na compreensão mútua. As empresas tecnológicas que dedicam tempo a compreender o contexto operacional dos seus parceiros públicos constroem uma relação de confiança. Essa confiança é a base para uma colaboração duradoura.

  • Reunir as pessoas certas à mesa. A colaboração muitas vezes depende do sucesso das pessoas que a lideram. Profissionais que conhecem e compreendem ambos os mundos são valiosos construtores de pontes.

  • Tornar a governação explícita. Quem decide o quê? Como são resolvidas as disputas? O que espera cada uma das partes? Acordos como estes parecem formais, mas evitam muitos mal-entendidos na prática.

Tuinman resume de forma clara: "Tudo se resume a tornar a colaboração concreta, com objetivos, governação e compreensão mútua definidos. É isso que permite levar a tecnologia para a operação de forma muito mais rápida e eficaz."

O papel da AirHub na parceria público-privada

Para a AirHub, a parceria público-privada é a realidade diária de trabalhar com organizações de segurança, governos e a defesa, tanto a nível nacional como internacional.

Stephan van Vuren, CEO da AirHub: "Construímos uma plataforma que ajuda genuinamente as equipas operacionais. Para que esta seja implementada nos ambientes certos, precisamos de pessoas que conheçam esses ambientes por dentro. É exatamente por isso que a colaboração com o Joost é tão valiosa para nós."

A parceria com a Gardener Consultancy põe essa convicção em prática. Ao reunir visão estratégica e conhecimento operacional com inovação tecnológica, a AirHub reduz a distância entre aquilo que é possível e o que é realmente implementado.

Olhar para o futuro

A pressão sobre as organizações de segurança está a aumentar. As tensões geopolíticas, as crises climáticas e a rápida difusão de novas tecnologias tornam o ambiente operacional mais complexo. Ao mesmo tempo, a disponibilidade de tecnologia eficaz que pode ajudar as organizações continua a crescer.

As organizações que conseguem ultrapassar o Vale da Morte são aquelas que investem desde cedo nas parcerias certas, nas pessoas certas e nas plataformas certas. Constroem essa base para o futuro, muito antes de qualquer crise o exigir.

Curioso sobre como a AirHub trabalha com organizações de segurança e defesa? Agende uma demonstração com um dos nossos especialistas.